Toca Paul, canta Adele e...fica na sua Rafinha Bastos
Por Yuri Freire de C. Espírito Santo
A cantora Adele é um sucesso. O
Grammy Awards não quis saber de fairplay com os outros artistas dentro da
grade. Adele explodiu em vendas e a audiência subiu nas rádios que tocaram suas
canções. Bateu recordes de venda já na primeira semana tanto nos EUA quanto no
Reino Unido. A despeito da sua condição física (cordas vocais) e da sua
melancolia expressa em canções de amor perdido e sofrimento, Adele tem uma voz
linda e é afinada mesmo. Sua voz é agradável aos ouvidos. Nesse sentido, a
academia está em consonância com o público; demanda significou bom gosto (viva ao mercado!).
Confesso que me confortou ver sons como o dela ganhando no Grammy esse ano,
porque os rumores sobre o sucesso de Michel Teló pelo mundo estavam me
assombrando. Ainda bem que a academia foi conservadora (risos).
Sir Paul McCartney arrebentou no
Grammy e com um conjunto de músicos, fez som de verdade acontecer. Isso para mim
é agradável no Rock’n roll, essa coisa de o músico fazer parte da música, seu
feeling e sua inspiração estão diretamente ligados ao som que vai rolar ali na
hora. Por isso o rock tem algo de ouvir e ver, juntos. Solo de guitarra é bom
de ouvir e também muito bom de ver. O rock é um perfil de som que se tornará
agradável não pela sua freqüência e outras características ondulatórias
somente, mas também será agradável quanto melhor for a performance dos músicos.
Vide o Slipknot que tem sons muitas vezes desagradáveis se analisados
isoladamente, mas a atuação no palco torna o som palatável e até legal de ver. Gostar
de rock é isso: gostar da soma música + performance. Paul teve os dois no palco
do Grammy.
Rafinha Bastos em contemporâneo
aparece em rede noticiando a assinatura de contrato com a rede Fox de televisão
e fará uma série de TV no Fx. Provavelmente de comédia. Piada boa é aquela
inusitada, cujo final surpreende ou trás para nossa mente imagens fora do
convencional, esdrúxulas e que foge dos padrões. Não foi à toa que ele se
tornou o cara mais influente no Twitter, sempre fez o mesmo tipo de piadas e
com elas ficou famoso. Eu ri muitas vezes. Não é a toa que grupos como “Os
trapalhões” e “Casseta e Planeta” ficaram famosos também. Fizeram várias vezes
esse estilo de piada. Riram muitas vezes de si e dos outros. Justo. Uma pessoa
que ganhou na loteria e fez sucesso, doou parte do dinheiro para caridade e
agiu dentro dos conformes, não pode ser assunto para piada. Qual é a graça? O
que tem aí para rir? Vai rir porque o cara se deu bem? O sucesso desse
indivíduo não tem graça. A sua vida é fonte de inspiração para outras coisas,
como ensinar as pessoas a terem esperança por exemplo, mas nunca será
inspiração para piadas. Para piadas eu
quero minha miséria mesmo. O gordo, o careca, o traveco e por aí vai. Você já
parou para se perguntar porque “Chaves”, “Pica-Pau”, “Pernalonga” e até mesmo
palhaços são engraçados? Já analisou o que eles fazem para serem engraçados?
Pronto! Você mesmo concluiu.
Se vocês pararem para analisar
bem, todas essas pessoas são boas se propondo a fazer aquilo que sabem fazer.
Paul fora da música é um péssimo intelectual. É ativista dos direitos dos
animais, vegetariano (por motivo imbecil), enfim, é uma pessoa sem graça
nenhuma. É aquilo mesmo que a maioria espera, é politicamente correto. Muito
diferente do Paul dos palcos, “quebrando” tudo, fazendo performance, fugindo
dos padrões ali aonde é apropriado. Adele é fácil de resumir fora dos palcos: está
gordinha, com problemas de saúde e perdeu o namorado. A vida dela está de “vento
em popa” nos palcos, fora dele, nem tanto. Já pensou se ela resolve aconselhar
pessoas? E Rafinha fora dos palcos, não foi um grande jogador de basquete, nem
grande ator (suas atuações no “Super Pop” são um lixo) e como garoto propaganda
dá apenas para fazer “bico”.
Adele é boa porque canta, Paul porque
faz rock e Rafinha porque faz piada. O que me faz ouvir Adele é simplesmente
sua música, o que me faz ver Paul é simplesmente sua performance e o que me faz
rir de Rafinha é simplesmente sua piada. Sem rodeios. “Direita ao ponto”. Cada
um se conservando aonde deve. Ainda bem! Por isso afirmo, Adele, canta! Paul, toca!
E Rafinha...fica quieto e espera o povo se libertar da ditadura políticamente
correta para poder rir de boas piadas.
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